Muitos médicos e universidades têm identificado nos mais variados processos de tratamento e cura de doenças, um componente que se apresenta como importante auxiliar nesta luta para recuperar a saúde perdida! Estes profissionais e instituições médico-hospitalares observam cada vez com maior interesse o papel da fé, da certeza da cura pelo doente e até das preces à distância no restabelecimento da saúde.
            O sistema imunológico, que é nosso sistema de defesa ante as agressões dos microorganismos durante nossa vida, possui intricado e complexo mecanismo de funcionamento sobre o qual ainda temos muito a aprender e que é sensível a vários estímulos. A cada dia, muitos cientistas tem se deparado com comprovações de que a matéria, quando submetida a processos de elevada dinamização/aceleração, se transforma em energia, (vide os aceleradores de partículas que nos conduziram ao campo do microcosmo) o que equivale dizer também que a matéria é “energia coagulada ou desacelerada”, e a partir desta premissa esta mesma matéria sensível estaria às correntes de energia, neste caso, o pensamento positivo, que estimula nosso sistema imunológico reestruturando nossas defesas e combatendo as doenças.
            É importante ressaltar que o afastamento entre ciência e religião que aconteceu na idade média se reduziu a partir de Einstein, a ponto de João Paulo II afirmar que religião sem ciência não é boa religião, bem como ciência sem religião não é boa ciência e Einstein referiu que um cientista podia, efetivamente, ser um homem religioso. Outra posição convergente foi, recentemente, tomada pela Organização Mundial da Saúde3 (1998), ao ter acrescentado a dimensão de bem-estar espiritual ao seu conceito multidisciplinar de saúde, que só entendia uma condição de saúde se existisse a presença de bem-estar nas dimensões físicas, psíquicas e sociais. A valorização acrescentada, considerando o lado espiritual/religioso é um elo decisivo e universalizado do entrelaçamento de ciência e religião.

               Mesmo que ainda não sejamos capazes de explicar seus mecanismos, a ciência tem se surpreendido ao investigar a influência das manifestações de fé no tratamento e na cura de doenças. Muitos médicos se sentem desconfortáveis com essas observações, pois a grande maioria absoluta dos cursos de medicina não instrui sobre a religiosidade dos pacientes. Em 1994 apenas 17 faculdades de medicina ofereciam conhecimentos religiosos nos seus cursos, número quadruplicado para 84 instituições, em 2004. Várias faculdades de Medicina nos Estados Unidos e Brasil já começaram a incluir em seu currículo cursos de Espiritualidade e Medicina, tais como Universidade de Havard e Universidade Federal do Ceará e temos uma pesquisa sobre a importância da fé na área medica realizada na cidade de João Pessoa, UFPB, Centro de Ciências da Saúde (CCS), Departamento de Medicina Interna (DMI), durante o período de três anos ( de 2002 a 2005), tendo sido aplicado um questionário específico em aproximadamente 400 pacientes portadores de doenças de curso prolongado; sob coordenação da Dra.Célia Maria Dias Madruga e seus resultados apontaram que 17,5% dos médicos assistentes valorizam a religiosidade; 91,8% acham que a fé na sua religião lhe tranqüiliza e 87% acha importante que o médico valorize este assunto de fé.

               Estudos da Escola Paulista de Medicina que procuram correlacionar a religiosidade e os achados neurocientíficos têm, consistentemente, demonstrado a associação entre modificações neuroelétricas e neuroquímicas, com as práticas religiosas (estados de meditação profunda, de experiências místicas intensas ou de imersão religiosa associam-se às alterações eletroencefalográficas e técnicas de imagens cerebrais, tipo Spect (single photon emission computed tomography) ou Pet (positron emission tomography), ou ressonância magnética mostram aumento de atividade em algumas áreas cerebrais e diminuição em outras áreas durante os estados de meditação). A área da saúde é uma das que, mais precoce e profundamente, tem investigado o tema medicina versus religiosidade.

Afirmar que a religiosidade de uma pessoa afeta seu corpo, sua mente, sua interação com os outros, além de seu espírito soa menos estranho, embora as revistas científicas de impacto elevado, como Lance, New England Journal of Medicine, Archives of Internal Medicine, JAMA, ampliem gradativamente seus espaços a temas religiosos, atualmente encontramos reservas na publicação de artigos relacionados a este tema em questão, o que é compreensível.

Recentemente, foram concluídos estudos, realizados com rigor científico, que apontam na direção de resultados  até inexplicáveis tais como:

1- Equipe do Dr. M. W. Krucoff, da Universidade de Duke, em Durham, na Carolina do Norte (EUA), envolveu 150 pacientes com graves problemas do coração indicados para realizar angioplastia (desobstrução das artérias através de cateterismo e de balão). Novamente, os pacientes foram divididos em dois grupos. O primeiro grupo seguiu o tratamento convencional e o segundo recebeu, além das terapias convencionais, tratamentos alternativos complementares que incluíam rezas à distância. Mas atenção, nem os pacientes, nem os médicos e tampouco os familiares dos pacientes sabiam a que grupo pertencia cada indivíduo. O resultado após meses de seguimento demonstrou que o grupo da fé apresentou menor número de complicações pós-operatórias:

2- Em 2004, ano em que a Universidade de Duke, na Carolina do Norte (EUA), revelou interessante resultado de pesquisa sobre a eficácia de métodos religiosos como a oração e a meditação. Enfermos que adotaram esse tipo de prática ou mantêm alguma espiritualidade apresentaram redução de 40% na probabilidade de sofrer de hipertensão arterial, possuem sistema de defesa mais forte, são menos hospitalizados, se recuperam mais rápido. Por seu turno, a Universidade de Ohio (EUA) também se manifestou sobre o tema por meio de estudo, em 2004, ressaltando o desejo de 798 voluntários, dos quais 85% gostariam de discutir sua fé com o médico e 65% esperavam compreensão desse desejo por parte dos facultativos. De outro lado, muitos médicos fazem diariamente constatação clínica dos efeitos positivos da espiritualidade, reforça na prática o crescimento da importância da fé na melhoria das doenças, informação estampada em diversas pesquisas idôneas.
3- O Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP) vasculhou a saúde mental de 115 médiuns espíritas, tendo a incidência de transtornos de ansiedade e depressão, ficando em torno de 8%, metade da estimativa encontrada na população em geral - 15%. Tais fatos reforçam o que os cientistas já admitem: a importância de práticas espirituais para o bem-estar contribui diretamente para a saúde das pessoas: mais satisfação, menos estresse, menor número de comportamento autodestrutivo.

4- O Médico e professor titular de Imunologia da Faculdade de Medicina (FMD) da Universidade de Brasília (UnB), Carlos Eduardo Tosta uniu ciência e religiosidade em uma pesquisa que desenvolveu durante três anos (de 2000 a 2003) com a finalidade de estudar o efeito da prece sobre a saúde das pessoas. E seu diferencial foi o envolvimento de 52 estudantes de medicina, saudáveis, divididos em pares do mesmo sexo e da mesma idade. A idéia era verificar se a prece intercessória a distância poderia alterar a função de células de defesa, como os monócitos e os neutrófilos. Para a satisfação da equipe, os resultados revelaram que as células de defesa sofreram influência da prece. Quando os indivíduos que receberam a prece foram comparados com os que não receberam, ou o mesmo indivíduo foi comparado antes e depois de ser alvo da prece,  comprovou-se que a prece aumentou a estabilidade da função celular, o que quer dizer que as células funcionaram melhor. “Quando interpretamos os dados, observamos que a prece teve o papel de induzir equilíbrio... e saúde”,

5- Outro estudo pioneiro de 1988, desenvolvido na Califórnia, no Hospital Geral de São Francisco. O médico Randolph Byrd pesquisou um grupo de 393 pacientes da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) coronariana que recebiam o mesmo tratamento médico. Eles foram divididos em dois grupos e um deles recebia prece intercessória à distância. Os resultados da pesquisa mostraram que, após receberem preces, os doentes necessitavam de menos medicamentos como antibiótico e diurético, sofriam menos edema de pulmão e insuficiência cardíaca e quase não precisavam ser entubados para manutenção da respiração.

A ciência observa fenômenos intrigantes em todas as religiões estudadas e não se identificou uma seita ou corrente filosófica específica aparentemente mais "eficaz" na melhora da saúde das pessoas. A fé ou religiosidade parecem ser o denominador comum nestas pessoas!

 

Apesar de todas as indicações positivas em muitos estudos, não se recomenda que os pacientes abandonem os tratamentos médicos convencionais que já estão fazendo,devem  evitar os curandeiros e charlatães e não abram mão do acompanhamento da família que é fundamental nestes casos!

 

Dr. Marcus Sodré
Médico Otorrinolaringologista
Diretor Científico da Associação Médica da Paraíba
Conub-PB